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João Barone dos Paralamas do Sucesso fala sobre o novo CD

Exclusivo- A Lhe Esperar inicia divulgação do novo CD dos Paralamas
Por Administrador - 15/02/09 13:34


Conexão Vivo  Por Agência MN Fabian Chacur

Quatro anos após Hoje, os Paralamas lançarão no início de fevereiro um novo disco de inéditas. Intitulado Brasil Afora, o CD foi gravado no estúdio Ilha dos Sapos, em Salvador, do cantor, compositor e músico baiano Carlinhos Brown. Como forma de inaugurar a divulgação do mesmo, já está disponível para as rádios o primeiro single, a música A Lhe Esperar. Como forma de apresentar uma rápida prévia do novo trabalho, o baterista João Barone, que está nos Paralamas ao lado de Herbert Vianna (guitarra e vocal) e Bi Ribeiro (baixo) há 26 anos, nos ofereceu uma entrevista exclusiva, na qual fala sobre esse e outros temas. Quando o disco sair de forma oficial e rolar novo trabalho de divulgação do mesmo, teremos outro papo por aqui, mas desta vez tendo como tema principal Brasil Afora.

CONEXÃO VIVO- A Lhe Esperar tem a cara dos Paralamas, tipo da música que gruda nos ouvidos rapidinho, com jeitão de hit. Curiosamente, leva a assinatura de Liminha e Arnaldo Antunes. Como essa música veio parar no repertório de vocês? É inédita, foi composta especialmente para a banda? Vocês já tinham gravado alguma composição do Liminha antes?

JOÃO BARONE- Essa música, o Liminha apresentou para nós, pois achava que tinha tudo a ver com Os Paralamas e acertou em cheio. No disco Big Bang (lançado em 1989), gravamos uma música do Herbert com Liminha chamada Dos Restos.

CONEXÃO VIVO- Vocês estão na EMI desde 1983, tendo passado por diversos presidentes e diretores artísticos, na gravadora, durante esse tempo todo. Meses após o lançamento de Hoje, correram boatos de que vocês sairiam de lá. Como foi renovar com eles, e o que os levou a isso? E a renovação se deu por quanto tempo, com quantos discos programados?

JOÃO BARONE- O que aconteceu foi que ao terminar nosso antigo contrato, houve aquele problema com a gravadora (n.da r.:a venda da gravadora para outro grupo empresarial internacional) e depois da nova realidade do mercado fonográfico, nem fomos procurados com uma proposta de renovação, o que era de praxe. Como não tivemos pressa em fazer um álbum inédito, esperamos até a ocasião certa para ver para onde escolheríamos ir. Nosso contrato atual com a EMI é apenas para distribuição deste novo álbum. Mais uma vez, escolhemos a melhor condição que nos ofereceram na praça para fazer nosso trabalho.

CONEXÃO VIVO- Muitos artistas consagrados estão optando por montar seus próprios selos (muitas vezes com distribuição a cargo das majors), ou por gravar em selos independentes. O que vocês acham disso?

JOÃO BARONE- Muito bom, e retrata bem o momento atual.

CONEXÃO VIVO- Vocês sempre foram uma banda aberta a trocar informações com artistas das novas gerações. Essa postura continua? Tem alguns exemplos recentes em relação a isso?

JOÃO BARONE- Nós sempre recebemos este input de quem está começando agora na cena, e tentamos retribuir da melhor forma possível. Foi assim com bandas que estavam começando há alguns anos, como o Skank e o Cidade Negra, por exemplo, mas agora tem tanta banda surgindo por aí que nem temos tempo de ouvir tudo.

CONEXÃO VIVO- Como vocês avaliam a experiência do trabalho em conjunto com os Titãs em 2008, em termos de shows e também do lançamento do CD/DVD Juntos e Ao Vivo? Existe a possibilidade de repetir a dose com eles, no futuro? Vocês pretendem fazer esse tipo de experiência com outro grupo ou artista?

JOÃO BARONE- Essa parceria sempre foi pura diversão, retomamos agora e estamos no fim dos trabalhos (n.da r.:eles haviam feito uma turnê conjunta anteriormente, em 1999). O DVD foi além do esperado e bateu no topo das lista de vendagens. Não temos idéia de quando vamos repetir esse encontro,  nem se vamos fazer alguma coisa parecida com outro artista ou banda.

CONEXÃO VIVO- O mercado fonográfico mudou muito desde 1983, quando vocês estrearam nele. Como avaliam essas mudanças? E em relação às gravadoras? Acham que elas estão sabendo lidar com todas essas mudanças?

JOÃO BARONE- Acho que sim, o cenário que existe hoje é mais realista, e os tempos de amarrar cachorro com linguiça acabaram. (risos)

CONEXÃO VIVO- Fala-se muito sobre um hipotético final do formato físico de comercialização de música. Vocês acreditam nisso, ou pensam ser possível a convivência de formatos físicos e digitais de comercialização de músicas?

JOÃO BARONE- A mídia física está com os dias contados faz tempo, mas o CD insiste em continuar existindo. Mas uma porta muito interessante está aberta para os conteúdos de operadoras de telefone e internet. Quem sabe em breve as lojas de música digitais  não representem a maior parte do comércio do setor?
 
CONEXÃO VIVO- Os Paralamas sempre foram presença indispensável em grandes festivais. Como vocês encaram a oportunidade de tocar em eventos desse tipo ao lado de artistas novos?

JOÃO BARONE- É sempre legal, mas a verdade é que nem sempre temos tempo de ficar assistindo os outros shows. Às vezes, quando estamos menos na batida, até rola.

CONEXÃO VIVO- O grupo sempre se caracterizou por suas apresentações ao vivo super energéticas, e chega a ser emocionante ver que nem mesmo o fato de Herbert hoje ter de tocar de cadeira de rodas conseguiu quebrar essa marca registrada da banda. Vocês chegaram a temer por ter de mudar sua postura ao vivo por  causa desse problema? E como é presenciar essa impressionante readaptação de Herbert ao trabalho como músico e frontman de banda de rock?

JOÃO BARONE-  As coisas continuam iguais até hoje desde a primeira hora em que o Herbert voltou aos palcos. A música é o melhor remédio.

CONEXÃO VIVO- Como vocês avaliam a cena roqueira do Brasil atualmente? Quais são as bandas e artistas que vocês destacam nessa nova cena, os que mais os agradam?

JOÃO BARONE- Muito diversificada e promissora. Gostamos das coisas que misturam estilos, como a banda de Brasília Móveis Coloniais de Acajú, que já vimos por aí.

CONEXÃO VIVO- Recentemente chegou ao formato CD/DVD o show de vocês no Rock In Rio 1, em 1985. Como foi rever esse momento tão marcante da história dos Paralamas finalmente registrado em formato perene, e que recordações vocês tem daqueles shows?

JOÃO BARONE- O DVD é bem auto-explicativo... Foi um instante mágico, que estamos aproveitando o embalo até hoje. Se alguém fala no Rock in Rio I, o nome dos Paralamas é a lembrança instantânea. E assim passaram-se os anos!

Discografia:

-Cinema Mudo (1983/EMI)
-O Passo do Lui (1984/EMI)
-Selvagem! (1986/EMI)
-D (1987-EMI)
-Bora-Bora (1988/EMI)
-Big Bang (1989/EMI)
-Arquivo (1990/EMI-coletânea)
-Os Grãos (1991/EMI)
-Severino (1994/EMI)
-VamoBatêLata (1995/EMI)
-9 Luas (1996/EMI)
-Hey Na Na (1998/EMI)
-Acústico MTV (1999/EMI)
-Arquivo 2 (2000/EMI)
-Longo Caminho (2002/EMI)
-Uns Dias- Ao Vivo (2994/EMI)
-Hoje (2004/EMI)
-Juntos e ao Vivo-Com Titãs (2008/EMI)
-Brasil Afora (2009/EMI)

Carreira solo de Herbert Vianna:

-Ê Batumaré (1992/EMI)
-Santorini Blues (1997/EMI)
-O Som do Sim (2000/EMI)

DVDs

-Acústico MTV (2000/EMI)
-Longo Caminho (2002/EMI)
-Arquivo de Imagens (2004/EMI)
-Uns Dias Ao Vivo (2004/EMI)
-VamoBatêLata (2004/EMI)
-Hoje (2006/EMI)
-Juntos e ao Vivo-com Titãs (2008/EMI)

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