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CONEXÃO HC – Sete bandas, chuva no início e sol no final

Acompanhe como foi a segunda noite do 53HC Music Fest


 

Conexão Vivo , por Cria! Cultura -  André Macedo e  Joyce Athiê – 17/10/09

Foto: Marcela Bueno


 

São Pedro ameaçou, mas os belorizontinos não se deixaram intimidar. E embora se pensasse que a grande atração da segunda noite do 53HC Music Fest fosse o Mundo Livre SA, cada uma das sete bandas que se apresentaram levou seu público cativo. A começar pelas três bandas mineiras que tocaram acompanhadas de um coro e mostraram como as bandas independentes de Minas estão com uma legião de seguidores e como o festival, consolidado no hardcore, está focado agora na ampliação dos horizontes. Deco Lima e o Combinado que vai do funk à baladas de amor, Black Sonora com ramificações da black music e Transmissor com o pop foram as bandas locais da noite que refletiram o que está acontecendo na cidade. 

 

Deco Lima, que abriu a maratona de shows, terminou sua apresentação com um hard core em homenagem ao festival e em reconhecimento ao trabalho se tem feito. ”O barato é fortalecer a cena. Tem que fazer a cidade funcionar. Não dá mais pra eleger uma cena ou outra.”

 

E o pessoal do Transmissor concorda. “A cena em BH tá muito diversificada, muitas bandas e bandas que estão ocupando um lugar legal. Acho que é até natural essa ampliação do festival e natural também a gente tá tocando aqui.” - Jennifer de Souza, voz e guitarra do Transmissor. 

 

“As pessoas sempre falam, quando a gente vai pra fora, que elas não ouvem muito falar em cena de BH. Na verdade, ela existe. O que acontece é que ela não é uma cena oriunda de um só estilo.” - Thiago Corrêa, vocalista do Transmissor.

 

E o falar da cena como um todo e da profissionalização do setor musical, Thiago lembra que ainda há muito trabalho pelo frente. “Acho importante falar que, a gente fica super feliz de tocar em festivais porque é um negócio que realmente atinge um público interessado em música que não é da grande mídia. O contra-argumento é que as pessoas não estão se preocupando com a remuneração dos artistas e estão se preocupando apenas com o espaço que eles promovem, o que é uma coisa legal, mas a gente não vive só disso. Acho que tem que ter uma discussão maior acerca disso”. 

 

O show do Black Sonora, que seria o quinto da programação, foi passado para o quase fim da noite. E apesar do cansaço, o público manteve o ânimo e dançou aos ritmos latino americanos trazidos pela banda. A apresentação contou com a participação de improviso do rapper Renegado, outro representante da cena mineira independente que está conquistando importantes espaços de visibilidade. 

 

O Rio de Janeiro também marcou presença no festival. O pessoal do Autoramas levou a galera pra frente do palco e fez todo mundo balançar mostrando que a proposta da banda é mesmo o som batizado de “rock pra dançar”. E a galera do Canastra   continuou impressionando com a performatividade do show e com a mistura dançante de swing, western e surf music. Além das músicas dos dois CDs da banda, 'Traz a Pessoa Amada Em Três Dias” (2004) e ‘Chega de Falsas Promessas’ (2007), eles tocaram uma música inédita “Encimesmado” que estará presente no terceiro disco ainda em construção. No repertório do show, pra surpresa da própria banda, até Bob Marley rolou. “Não entendi porque a gente tocou Bob Marley. Ninguém aqui ouvi Bob ”- Renato Martins, vocalista e guitarrista.
O show não contou com o tradicional jogo de baralho, mas a diversão no palco era frenética e teve seu momento auge também na tradicional cena em que Eduardo Vilamaior joga seu contrabaixo acústico no chão e o vocalista sobe no instrumento tocando guitarra. 


 

Em conversa com a Equipe Conexão Vivo, eles falaram da diferença da cena carioca e a mineira. “A gente conhece muito pouco a cena daqui. A gente toca basicamente nas coisas do Bart e do Claudão que são os dois pilares da cena que a gente conhece daqui. São dois caras inclusive que a gente tem uma amizade, independente do lance de tocar. Mas lá no Rio o que a gente pode falar é que é uma cidade complicada porque ao mesmo tempo que tem muito lugar pra tocar não é tão fácil assim”- Renato.

 

“Mas eu acho que aí é que tá o paralelo com Minas e Rio. Porque são cenas que não são tão grandes quanto São Paulo e Curitiba . Mas ao mesmo tempo o público interage muito mais. Não sei se é porque nesses lugares o público tem muita informação, no Rio e Minas a platéia é muito mais participativa”. – Rodrigo Barba, baterista.

 

Entre os shows dos cariocas do Autoramas e do Canastra, a atração internacional da noite não foi bem entendida pelo público. Zigmat , formada em 2006 em New York, conquistou um número pequeno de ouvintes enquanto as pessoas que não estavam a fim de um som suave se dispersaram e algumas até se debandaram.  Mas quem parou para prestar atenção, escutou uma mistura de rock e música eletrônica, em espanhol e inglês, e não conseguiu tirar os olhos da vocalista porto-riquenha Monica Rodriguez que impressiona com uma voz doce e ao mesmo tempo forte e poderosa, assim como o seu visual: rostinho de boneca e um agressivo cabelo Black Power . 

 

 

Para ela o Brasil é só surpresa. “Estamos vindo do Rio de Janeiro e de Juiz de Fora. Não sei bem se é porque Juiz de Fora é um “barrio pequeno”, mas muitas pessoas foram ao show e foi uma grande experiência. As pessoas estavam cantando as músicas, foi nossa primeira vez lá, a gente não sabia que as pessoas estariam tão a fim da nossa música.”

 

Perguntada sobre o que achou da cena independente brasileira, novamente a surpresa. “Eu achei que ia encontrar no Brasil uma cena mais pop ao invés de um música independente , agora eu vejo que tem muitas bandas independentes e bandas boas aparecendo”. 

 

A banda lançou este ano o álbum “Sounds of Machines” pelo selo brasileiro Ultra Records. E para finalizar a noite, às 5h45 da manhã já no horário de verão, Mundo Livre SA sobe ao palco com quatro integrantes, cansados em função do atraso, mas felizes por terem 1/10 do público da casa ávidos pelo som dos caras. E com humor, Zero Quatro parodiou: “ Eu prefiro vocês que ficaram até essa hora a qualquer viralata”. O show , cantado o tempo inteiro pelo público, trouxe repertório de todos os CDs, mas com foco no "Samba Esquema Noise", que comemora esse ano 15 anos do lançamento. Com alguns problemas técnicos no som do cavaquinho de Zero Quatro, ele saiu do palco sem dar nenhuma explicação para os presentes. Mas o público chamou e ele voltou pra fechar a apresentação no início da manhã do domingão.

 

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