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Beatles forever!
Discografia remasterizada e Rock Band temático garantem o futuro da maior banda de todos os tempos
Conexão Vivo, Por Agência MN - Abonico R. Smith (Mondo Bacana)
A maior banda de todos os tempos desta semana. E de todas as outras. Por um bom tempo, diga-se passagem. Se ainda havia alguma sombra de dúvida nesta primeira década do século, agora não há mais: os Beatles são mesmo o principal nome de todos os tempos do rock. A prova definitiva sai hoje, quarta-feira, dia 09 do mês 09 do ano 09 (data cabalística segundo muitos mas extremamente significativa para quem conhece bem “Revolution 9”, a penúltima faixa do “Álbum Branco”). Que outro artista teria toda a sua discografia oficial relançada em duas caixas oficiais (com todos os álbuns remasterizados em estéreo e mono, mais o bônus luxuoso de documentários em vídeo contando a história de cada trabalho, acabamento gráfico que reproduz com detalhes todo o visual dos antigos vinis e uma coleção de fotos raras) e mais o jogo que vai virar febre mundial e unir várias gerações por anos a fio (leia-se a versão do Rock Band para Xbox 360 e PlayStation 3 com a obra completa dos Fab Four, incluindo réplicas importadas idênticas dos modelos de baixo e guitarras utilizados por Paul, John e George).
Toda esta celebração em torno de Lennon, McCartney, Harrison e o baterista Ringo Starr vai muito além da importância histórica das músicas e dos discos para a história do Rock. O festival de lançamentos simultâneos significa o casamento de popularidade, originalidade e qualidade com um grande tino voltado para os negócios adquirido pela banda (remanescentes ainda vivos e seus herdeiros ou descendentes) nas últimas décadas. Afinal, a banda, acima de tudo, sempre soube lidar muito bem com o pioneirismo. Quando estiveram na ativa, nos anos 60, saíram da cidade britânica de Liverpool para dominarem o planeta: bateram o recorde mundial emplacando cinco hits seguidos nas paradas de sucesso dos Estados Unidos, interpretaram uma espécie de personagens de si próprios no cinema, inventaram o videoclipe para as massas, viraram desenho animado e tiveram fundamental participação na concepção do álbum como a linguagem fonográfica mais importante do mercado durante o período áureo e mais lucrativo da música no Século 20. Nada mais natural que os Beatles se aliassem à cada vez mais revolucionária e trilhardária indústria do entretenimento desta nova era: o videogame.
Esta versão temática do já extremamente popular Rock Band (no qual qualquer um pode se divertir e ao mesmo tempo se sentir um popstar tocando na guitarra, baixo e bateria alguns dos maiores sucessos mundiais do rock´n´roll) já está sendo descrita como um dos grandes divisores de águas da cultura popular no novo milênio. Quem se aventurar na pele de John, Paul, George e Ringo vai poder vivenciar cada fase da trajetória dos Fab Four. O jogo vai dos tempos do terninho no porão do Cavern Club até o show histórico no telhado da Apple Records. Música após música a riqueza de detalhes e referências (visuais, conceituais) impressiona. Tem a histórica passagem pelo Ed Sullivan Show em Nova York, o famoso concerto no Shea Stadium (quando o nível de histeria chegou a nível tão extremo que a banda optou por não tocar mais ao vivo), as viagens psicodélicas, a fase “personagens de desenho animado”... É impossível não se identificar com pelo menos uma das etapas – isso nem tocar na parte das músicas de uma cada delas. São quase 50 no cardápio.
As caixas com as remasterizações em estéreo (com os catorze álbuns da carreira, indo de Please Please Me à coletânea dupla de compactos e raridades Past Masters) e em mono (que exclui os discos Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be, originalmente já lançados de forma estereofônica, mas farão a alegria dos fãs mais xiitas, que quiserem experimentar a sensação de ouvir as faixas da mesma forma que naquela época”) serão importadas oficialmente pela gravadora EMI brasileira para as principais lojas do país. E quem não quiser gastar uma fortuna de uma vez só também terá a alternativa de comprar nas lojas os álbuns remasterizados de forma avulsa e ir montando aos poucos a sua coleção.
Direitos autorais
Este megalançamento triplo envolvendo a grife Beatles, claro, não é à tôa. Envolve sobretudo a questão sobre os direitos autorais no Reino Unido. A legislação de lá transforma automaticamente em domínio público qualquer obra artística que complete meio século de existência. Milhares de artistas (Paul McCartney incluído) e a indústria fonográfica britânica estão chiando há anos e tentando reverter a situação. A proposta dos representantes do showbiz é igualar a lei à dos Estados Unidos, onde os direitos vigoram por 95 anos. Contudo, o governo britânico ainda parece estar irredutível sobre a mudança, além da decisão final ter necessariamente de passar pelas mãos da Comissão Européia (poder executivo da União Européia).
No caso dos Beatles isso signfica que as primeiras obras de grande sucesso já cairão em domínio público nos próximos (“Love Me Do” em 2012 e “I Wanna Hold Your Hand” em 2013, por exemplo). Nada melhor, então, do que faturar com mais alguns “mimos oficiais” outros milhões de dólares neste pouco tempo que resta. Afinal, fã que é fã não pensa duas vezes antes de torrar seu dinheiro em qualquer bugiganga de qualidade com seus ídolos.
E este lançamento casado dos CDs com o videogame também indica uma leitura muito interessante sobre o panorama dos próximos cinqüenta anos do rock. Ao se dirigir para o público-alvo fanático pelo jogo da moda (leia-se crianças, adolescentes, pós-adolescentes, jovem adultos e ainda um topo da pirâmide formado por gente que já virou trintão) e ser a primeira grande banda a ter um Rock Band temático, os Beatles certamente dão uma tacada certeira para a perpetuação da idolatria em torno de seu nome. Afinal, se a banda já conquistou geração após geração nestes 40 anos após a sua separação, o caminho para se manter na predileção de quem estará com o poder e mandando na economia das próximas décadas. Portanto, cada vez mais os Fab Four serão na primeira colocação no quesito Música Clássica do Século 20 – seus maiores rivais (Rolling Stones, Elvis Presley e Frank Sinatra) ainda mostram-se muito distantes e ineficazes na concorrência pela adoração dos netos, bisnetos e tatatanetos de sua primeira fornada de fãs.
ÁLBUNS OFICIAIS
Please Please Me (1963)
Lançado no começo do ano, pega carona no sucesso dos shows realizados em quase todas as noites do ano anterior, a maioria deles no Cavern Club em Liverpool. O repertório mescla os primeiros sucessos da dupla Lennon-McCartney com releituras da música negra americana que volta e meia eram tocadas ao vivo. A receita sonora é a mesma que fez crescer a fama dos Betales na Grã-Bretanha: bases cruas e vigorosas com a progressão de acordes básicos e belas melodias (delineadas por mais de uma voz). Com exceção das faixas anteriormente lançadas em compacto, todo o resto foi registrado em estúdio em um único dia, trabalhando direto das dez da manhã até a meia-noite com paradas apenas para almoço e jantar. Curiosidade: A versão de “Love Me Do” incluída no álbum traz Ringo Starr tocando apenas pandeiro. O produtor George Martin havia achado insegura a performance de Ringo na sessão anterior (que fora utilizada no compacto, o que garantiu a permanência do baterista na banda) e o substituiu pelo músico de estúdio Andy White. Não deixe de ouvir: 1) “I Saw Her Standing There”; 2) “Twist And Shout”; 3) “Love Me Do”.
With The Beatles (1963)
Já com a beatlemania em pleno vapor na Europa e América do Norte, sai no final do ano o segundo álbum. Megahits como “She Loves You” e “I Wanna Hold Your Hand” não são incluídos. Afinal, o sucesso é tanto que as massificadas faixas radiofônicas ficam reservadas apenas para os compactos ou edições especiais para determinados países. Neste disco, é mantida a mesma fórmula do anterior: um retrato direto do que era a banda no palco (agora com o acréscimo de instrumentos como violão e piano), ainda misturando canções autorais com um blend de soul, R&B e rock´n´roll do outro continente. Curiosidade: John e Paul assinam sete das 14 faixas do álbum. No meio “do resto”, entre covers de Chuck Berry e pérolas dos primórdios da Motown, está a primeira composição de George gravada oficialmente pelo quarteto. ”Don´t Bother Me” tem poucos acordes e uma levada percussiva calcada em Bo Diddley, um dos heróis do início do rock. Não deixe de ouvir: 1) “Money (That´s What I Want)”; 2) “I Wanna Be Your Man; 3) “All My Loving”.
A Hard Day´s Night (1964)
O álbum é a trilha sonora do filme que exportou a beatlemania para o mundo inteiro. Nas telas, sempre em imagens em preto e branco dirigidas por Richard Lester, os músicos viram personagens de si mesmos e contam uma história no qual a banda em si é a grande protagonista. Nos estúdios, por sua vez, os Beatles aprimoram a receita do ano anterior e refinam a veia pop de suas músicas (não à tôa foi neste período que emplacou cinco compactos consecutivos no topo das paradas americanas – fato nunca mais igualado por qualquer outro artista). Nas treze faixas deste disco, guitarras afiadas e melodias irresistíveis estão em sua melhor forma. Aqui a parceria entre John e Paul se mostra tão forte quanto uniforme. É possível distinguir suas participações na banda sem que o conjunto tenda para a individualidade de um ou outro. Curiosidade: Depois de um exaustivo dia de filmagem, Ringo Starr, que nunca perdia a oportunidade de um comentário engraçado, soltou a frase que acabou batizando o longa-metragem. John, inspirado, compôs letra e música sobre o tema “cansaço após uma jornada puxada de trabalho”. Não deixe de ouvir: 1) “Can´t But Me Love”; 2) “I Should Have Known Better”; 3) “A Hard Day´s Night”.
Beatles For Sale (1964)
Lançado no finalzinho do ano para atender à demanda dos fãs, volta a apelar para a bem-sucedida mistura de canções autorais com algumas versões de grandes ídolos do rock (Carl Perkins, Chuck Berry, Buddy Holly). O grupo não gosta do título e posa para a capa com semblantes sérios. Contudo, o álbum dá uma pista do que viria a seguir na carreira: a transformação do merseybeat para rumos sonoros mais refinados. Ringo usa tímpanos em “Every Little Thing” e os vocais de “Eight Days a Week” são alguns dos pontos altos nos arranjos. Curiosidade: Meses antes, Bob Dylan apresentara a maconha à banda e incutiu na cabeça dos Beatles que suas músicas eram muito “nhém-nhém-nhém”. As mudanças não tardaram a vir e as letras mostravam uma profundidade ainda não vista nos versos assinados por Lennon e McCartney. Não deixe de ouvir: 1) “Eight Days a Week”; 2) “I´m A Loser”; 3) “No Reply”.
Help! (1965)
Um ano depois, nova aventura cinematográfica da banda mantém a histeria mundial, desta vez com cenas coloridas e filmado em lugares considerados exóticos para uma banda de rock, como as Bahamas e os Alpes Suíços. O grito de socorro do título pode ser lido nas entrelinhas como um grande raio X do momento: muita pressão e corre-corre nos bastidores, compromissos oficiais lotando a agenda, fãs incontroláveis e a popularidade tornando os Beatles “maiores que Jesus Cristo”. Já a trilha para o novo longa dirigido por Richard Lester traz a inclusão de mais instrumentos nos arranjos (como bongô, reco=reco, órgão e pianos elétricos) e um monte de momentos pop de bastante inspiração – entre eles uma das canções mais regravadas de todos os tempos, a balada “Yesterday”. Curiosidade: O quarteto iniciou a turnê deste álbum inaugurando em Nova York o Shea Stadium, gigantesco estádio de beisebol, tocando para 55 mil pessoas, um grande recorde para uma banda de rock na época. Não deixe de ouvir: 1) “Ticket To Ride”; 2) “You´ve Got To Hide Your Love Away”; 3) “Help!”.
Rubber Soul (1965)
Este é o marco divisório dos Beatles “bons moços”, de terninho e franja, para uam segunda fase, mais selvagem, mística, psicodélica e ousada. Enquanto conheciam a fundo os efeitos da maconha e do LSD, os músicos mostravam-se fartos de toda a beatlemania e o circo armado ao redor deles. Apesar do bolso cheio de dinheiro, a exaustão física e o desinteresse pelas turnês (eles simplesmente não se ouviam mais nos shows, tamanha era a intensidade da histeria dos fãs), decidem parar de tocar ao vivo para se concentrar na criação de novas músicas que pudessem expandir a capacidade autoral do grupo. Curiosidade: Enquanto contratam uma equipe para gravar os primeiros videoclipes da História (de uma tacada só, com cinco canções extraídas dos compactos: “We Can Work Iy Out”, “Day Tripper”, “”Help!”, “Ticket To Ride” e “I Feel Fine”, penam para gravar as faixas de Rubber Soul, que trazia temas mais adultos como mensagens de paz e amor, amores furtivos e, claro, mensagens subliminares sobre as drogas. Com o álbum lançado às pressas em dezembro para continuar cumprindo o plano de Epstein de lançar dois discos “cheios” por ano, o Natal de 1965 estava salvo apesar dos primeiros sinais de crise interna. Não deixe de ouvir: 1) “In My Life”; 2) “Nowhere Man”; 3) “Michelle”.
Revolver (1966)
Com muito mais tempo para se dedicar à expansão da capacidade autoral do grupo nos estúdios, os Beatles se entopem de drogas ao mesmo tempo em que começam a provocar uma série de polêmicas por causa de suas atitudes e declarações. As experiências lisérgicas pontuam todo o disco, da letra à capa. A nova sonoridade também reproduz as loucuras, com os músicos lançando mão de loops de fitas tocadas ao contrário, tubas, arranjo de cordas e cítaras e a até mesmo a progressão e destrinchamento de um único acorde. O título remete à idéia de “reolver” algo e é justamente o que a banda faz com sua própria música. Logo depois do lançamento, o grupo faz seu último show e se separar temporariamente para cada um cuidar de sua própria vida. George se manda para a Índia para mergulhar a fundo naquela cultura místico-religiosa que viria a ser uma de suas principais influências nos anos posteriores. Pela primeira vez somente um álbum é lançado durante todo o ano. Curiosidade: “Yellow Submarine” está incluída neste álbum. Foi lançada dois anos antes de batizar o famoso desenho animado lisérgico dos Fab Four, que viria a encerrar o ciclo psicodélico rascunhado em Rubber Soul mas iniciado de fato em Revolver. Não deixe de ouvir: 1) “Tomorrow Never Knows”; 2) “Eleanor Rigby”; 3) “Here, There And Everywhere”.
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)
Trabalhando sob novas condições e com liberdade total de decisão e criação, os Beatles mergulham na primeira de suas grandes viagens conceituais. Incorporando como personagens músicos de uma banda marcial ultracolorida (a tal Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta) e tomando todos os ácidos possíveis durante as gravações, eles trazem para o estúdio muitos músicos eruditos e indianos, brincam com palavras e arranjos e dão um passo além do psicodelismo proposto um ano antes pelos Beach Boys em outro dos maiores álbuns do rock de todos os tempos, Pet Sounds. Perto deste trabalho, o anterior Revolver parece fichinha. O tamanho da ousadia teve seu lado bom e outro ruim: ao mesmo tempo em que os Fab Four faziam aquele disco que iria marca-los para sempre como os grande inovadores da música na metade final do Século 20, eles davam o primeiro passo rumo ao precipíco: a combinação entre loucura, craitividade e grandiloqüência iria afetar de maneira decisiva (e certeira) os trabalhos posteriores e a trajetória pessoal e profissional da banda. Curiosidade: Gravadas durante as mesmas sessões do álbum, as faixas “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” são excluídas do repertório e lançadas apenas como compacto, sem distinção entre os lados A e B. O grupo apresenta mudanças gráficas (pela primeira vez mostram na capa fotos de quando eram crianças) e no clipe promocional (os músicos não fazem playback; o vídeo de ambas as músicas é formado por uma grande colagem de imagens, cores e luzes que casaria meses depois com a proposta psicodélica daquele que ganhou o apelido de Verão do Amor. Apesar de tudo, o single foca marcado negativamente como “a primeira vez em que uma música dos Beatles não atingiria a primeira colocação das paradas. Não deixe de ouvir: 1) “A Day In The Life”; 2) “Lucy In The Sky With Diamonds”; 3) “When I´m Sixty-Four”.
Magical Mystery Tour (1967)
No dia 11 de setembro, os Beatles levam amigos, namorada e atores a bordo de um ônibus que roda por diversos lugares de Grã-Bretanha. As filmagens vão sendo feitas pura e simplesmente ao acaso, durante cinco dias seguidos. Na semana seguinte, a banda roda outras seqüências em locações especiais em Londres. Todo o material vira um polêmico especial de TV de fim de ano exibido duas vezes pela BBC (a primeira delas, inexplicavelmente, em preto-e-branco, o que faz com que todo o charme psicodélico das roupas, objetos e imagens se perca por completo). A falta de cor, aliás, impede a exibição da “Mágica e Misteriosa Viagem” no Brasil. É que em nosso país ainda não havia tecnologia para isso na TV e os produtores, alertas com o “prejuízo à imagem do grupo” provocado pela BBC, não abrem mão de concessões.Curiosidade: A mais completa falta de roteiro e direção é o argumento preferido para os detratores (sobretudo a conservadora imprensa britânica) atacarem “tanta bobagem reunida”. Com o tempo, entretanto, o especial acaba se tornando uma espécie de culto à parte entre os próprios fãs dos Beatles, já que possui um reperório de altíssima qualidade do começo ao fim (que incluem as subutilizadas “Penny Lane” e “Strawberry Fields Forever” e o grande compacto daquele fim de ano, “All You Need Is Love”). Não deixe de ouvir: 1) “All You Need Is Love”; 2) “I Am The Walrus”; 3) “The Fool On The Hill”.
The Beatles (1968)
Mais conhecido como White Album por causa de sua capa toda branca, este disco duplo traz o mais extenso material já produzido pelo quarteto em uma temporada só: são trinta canções ao todo. Enquanto rolam as gravações, muitas revoluções internas também acontecem: a banda começa a tocar sua própria produtora e gravadora, há brigas homéricas dentro dos estúdios, relações amrosas de Paul e John são desfeitas, George se decepciona com seu guru indiano e a butique fundada pelos músicos acaba da forma mais melancólica possível: com o estoque de 20 mil libras sendo doado para os fãs que queiram pegar ara si quaisquer das peças de roupa. No final do ano, enfim, chega o tão esperado álbum de inéditas dos Beatles com um repertório cheio de faixas supérfluas, mais todo peso e tensão vivida por eles naquele momento refletida em canções cruas e até agressivas. Também está nítido que todo o excesso de individualismo levaria à separação iminente. Curiosidade 1: Além das trinta faixas do álbum, eles ainda conseguem tempo para uma composição extra. E que faixa! “Hey Jude” é intencionalmente gravada para ser o compacto “mais longo da história”. A cada take cresce bastante a balada composta por Paul McCartney como uma canção de ninar para o filho de John, Julian, muito abalado com o divórcio dos pais. No fim, sai uma canção com quase sete minutos de duração, com direito a orquestrações e um “interminável” coro na parte final. Para variar, o hit não é incluído no álbum. O lado B deste compacto, “Revolution”, é uma versão alternativa de “Revolution 1”, que está em The Beatles. Curiosidade 2: O repertório do álbum obedece a certos processos temáticos e de simetria. “Wild Honey Pie” é a quinta faixa a partir do início do disco e também é a quinta antes do fim. Três das quatro canções com animais no nome (“Blackbird”, “Piggies”, “Rocky Raccoon”) são dispostas em seqüência. “Savoy Truffle”, a quarta música antes do fim, contém uma referência a “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, a quarta faixa do primeiro disco. Para completar, cada uma das quatro obras compostas por George é escalada para figurar em cada um dos quatro lados do vinil. Não deixe de ouvir: 1) “Helter Skelter”; 2) “Dear Prudence”; 3) “Revolution 9”.
Yellow Submarine (1968)
Mais uma grandiloqüência do quarteto, desta vez através de outra empresa criada pelo grupo: a Apple Films. Um novo longa-metragem, só que desta vez em desenho animado. A fase psicodélica ganha enormes proporções nas telas de cinema. Os personagens criados para o disco Sgt. Pepper embarcam em uma fantástica aventura pelo universo beatle. Referências mil às canções gravadas pela banda aparacem aqui, ali e em todo lugar, junto a uma explosão de cores e uma história completamente sem pé nem cabeça, que vale pelas músicas mas apresenta um roteiro muito, muito fraco. Curiosidade: Este é o primeiro álbum da banda já originalmente lançado em estéreo (portanto, ele não está presente na caixa das remasterizações em mono). Por sua vez, divide-se em um fantástico A (com a faceta mais pop da banda e seis das canções apresentadas no decorrer da animação) e um lado B bastante chocho. Na metade final estão sete faixas instrumentais, comandadas por George Martin para a trilha sonora incidental do filme. Não deixe de ouvir: 1) “All You Need Is Love”; 2) “Yellow Submarine”; 3) “Only A Northern Song”.
Continua...









