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A terceira (e mais pesada) noite do 53HC Music Fest 2009

Ratos de Porão esquenta a terceira noite do 53HC Music Fest


Conexão Vivo - Cria! Cultura, por Colaborador Lafaiete Júnior - 24/10/09

Fotos: Marcela Bueno

A sexta-feira quente apesar dos últimos dias de chuva que Belo Horizonte vem enfrentando não desanimou o público e muito menos as bandas que tocaram na noite mais pesada da edição comemorativa de 10 anos do 53HC Music Fest. O primeiro show da noite ficou por conta da banda mineira Hold Your Breath que, subindo ao palco sem muito atraso, apresentou um show “pesado e contagiante na medida certa. Do jeito que a banda sabe fazer”, segundo Carina Gomes, fã da banda. De São Paulo, o Big Nitrons fez uma apresentação misturando alguns sons que resultam no psychobilly dançante característico do grupo para um público que começava a encher o local dos shows.

E para quem pensa que banda de psychobilly é coisa exclusivamente de homem, um engano. Prova disso são as garotas do Diabatz que, com a formação clássica do gênero – baixo acústico, guitarra e bateria sem frescuras e sem banquinho – fez uma boa apresentação. A banda paranaense tem a intenção de contribuir com a cena psychobilly do Brasil, especialmente em relação a novas bandas de garotas. “A gente espera que a gente incentive outras meninas também, né? A fazer bandas... É sempre bom. Quanto mais, melhor [para a cena]”, disse a vocalista e guitarrista Baby Rebbel.

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As meninas do Diabatz

 

A Henry Paul Trio, quarta banda da noite, veio de São Paulo. E com um jeitão de Elvis Presley, o vocalista e guitarrista Henry Paul conduziu a apresentação (acompanhado pela baterista Drikat Crash e pelo baixista Jimmy Black), como se o Lapa Multshow fosse um daqueles bailes clássicos de rockabilly dos anos 50, fazendo com que boa parte do público dançasse com os passos característicos do gênero musical. Além disso, ainda rolou versões de Johnny Cash e Ramones. Sim, Ramones. A música “Sheena Is A Punk Rocker” foi acompanhada a plenos pulmões pelo público.

Em conversa com a equipe do Conexão Vivo, Henry Paul fez um paralelo da cena rock de Belo Horizonte com a cena de São Paulo: “a impressão que dá aqui é de um pessoal que curte... cada um curte um negócio [estilo musical], mas todos vão para os shows de rock que vai ter, entendeu? Aí eu acho que tem mais união. Em São Paulo tem essa coisa... tipo... o cara que é bad boy, o cara que é rocker e aí ele sai e tem aquela ‘cisma’ que eu tô vendo que aqui [Belo Horizonte] não tem... Eu acho que você toca um som e sabe que o pessoal vai te dar um valor. Não vai ficar ‘ah, eu sou da antiga e não vou escutar esse som não’. O pessoal aqui é bem rock n roll”.

Após o quase-baile-rockabilly da Henry Paul Trio, a noite caminhou para um final com muito barulho e cabeças balançando. No palco: Devotos. Na plateia: pessoas que realmente conheciam as músicas da banda de Pernambuco. Fãs que cantaram praticamente todos os petardos sonoros apresentados pelo trio. Cannibal (vocal e baixo), com seu carisma pouco comum em relação às bandas de hardcore, conduziu o público com maestria durante todo o show, que teve músicas de diversas fases dos 20 anos de carreira da banda e que estão registradas no CD (e futuro DVD) comemorativo desse tempo de estrada - “Devotos 20 Anos”. E o que se viu durante o show foi um Lapa que não parou de pular nem para respirar. Mesmo.

Cannibal falou um pouco sobre as facilidades da cena independente de hoje que não existia quando o Devotos começou sua carreira. “Naquela época, cara, não tinha... Não digo facilidade, porque facilidade ninguém tem pra fazer as coisas. Mas não tinha uma janela tão aberta quanto é o Circuito Fora do Eixo, a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), vários produtores, várias empresas apoiando... Não se tinha naquela época. Hoje tem, né? Então a facilidade é maior de você fazer o circuito chegar até aqui. Basta você pesquisar o que tá acontecendo dentro de toda essa cultura fora do eixo. Então é assim, hoje a gente tá aqui e a importância não é só tocar. É tá dentro de um evento que faz questão também de passar informação pra rapaziada. Informação desde sobre a internet, desde o ambiente, desde tudo assim... Informação básica para o ser humano. Queira ou não queira a gente não vive só de música.”

A penúltima banda da noite reforçou o peso sonoro que começou com o Devotos. O DFC, de Brasília, colocou meio mundo abaixo com seu hardcore já conhecido dos fãs da capital mineira. A banda, que já se apresentou diversas vezes em Belo Horizonte, teve muitas de suas músicas de conteúdos sócio-políticos acompanhadas pelo público... histérico.

Para fechar a noite com ainda mais peso foi escalado o Ratos de Porão, que também se apresentou na primeira edição do 53HC, há 10 anos. Queira ou não, o Ratos é uma das maiores entidades do punk hardcore tupiniquim. João Gordo, com sua cara de mau, levou o público teen e alguns fãs da velha guarda a berros contínuos durante as músicas. A banda só parou mesmo quando uma corda da guitarra do Jão arrebentou. Após alguns instantes, Gordo começou a cantar os versos de “Aids, Pop, Repressão” com o público acompanhando até o fim da música e do show, que não teve mais pausa. Fica também o destaque para a roda de pogo gigante que João Gordo incentivou e rolou numa boa.


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João Gordo e sua careta, no show do Ratos de Porão

 

A terceira noite do 53HC Music Fest teve saldo positivo, som com poucos problemas e um público que, ao contrário do que alguns pensam por ser tratar de estilos mais pesados, compareceu por causa da música. Afinal, esse é o objetivo de um festival como o 53HC. E na próxima sexta-feira tem mais. Fique ligado.

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