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53HC Music Fest

Ratos de Porão, Cachorro Grande, Mundo Livre S/A, Móveis Coloniais de Acaju e mais 24 bandas estarão presentes nas comemorações dos 10 anos do festival


Conexão Vivo , por Cria! Cultura - André Macedo e Joyce Athiê – 16/10/09

 

Começa amanhã a primeira noite de sonzeira e comemoração dos 10 anos do 53HC Music Fest, festival que é realizado anualmente em Belo Horizonte. Nasceu em 1999 como marco da abertura da 53HC, uma loja de CDs e DVDs que tem o propósito de contribuir para o crescimento da cultura alternativa no estado de Minas Gerais. A edição 2009 marca os anos de suor e também a entrada do 53HC na rede de festivais Conexão Vivo ao lado do Coquetel Molotov (PE), Omelete Marginal (ES), Jambolada, Arte na Praça e Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe (MG) e Se Rasgun (PA).


E para falar dessa trajetória de trabalho, o Conexão Vivo conversou com o idealizador dessa história: Bart Campos, diretor do combo 53HC que hoje se transformou em loja-selo-produtora.


Conexão Vivo: O 53HC Music Fest comemora em 2009 seus 10 anos, assim como a loja, que deu início a isso tudo. Como foi esse começo?

Bart: Pouca gente sabe que o embrião do festival veio antes da loja existir. A gente começou a fazer alguns shows, experimentar alguns formatos, em casas menores e, em 1999, abrimos a loja, porque a gente tinha uma deficiência de música alternativa na cidade. Nessa época, o estilo que estava mais em alta, era o hard core. Então nesse primeiro momento, o hard core foi o carro chefe que nos levou a vários outros estilos. Como a gente já tinha experiência com shows, nasceu a idéia de comemorarmos a abertura da loja. Fizemos um show, chamamos várias bandas de fora e os Ratos de Porão para fechar. Esse foi o embrião, a idéia mais próxima do que o festival é hoje. De lá pra cá muita coisa mudou. O mercado fonográfico vendeu horrores e hoje tá o que tá, e a gente viu isso tudo acontecer. E o festival foi mudando. Em 2005 ampliamos o formato, dobrando de tamanho. Em 2008, conseguimos triplicar. Em 2009, com a integração com o Conexão, conseguimos potencializar 4 vezes mais a idéia inicial do festival. Além disso, é uma edição comemorativa de 10 anos. Hoje posso dizer com toda certeza que aproximadamente 130 bandas já passaram pelo 53HC Music Fest. Depois dessa edição, passaremos de 150.


Conexão Vivo: E como foi o crescimento? Essas mudanças que o festival passou, de sair de um nicho, do hard core, e se expandir?

Bart: Desde 2005 a gente decidiu miscigenar nosso público. Antes disso, às vezes, a gente tinha edições mais hardcore, ou mais rock'n'roll. Aí a gente decidiu misturar tudo. Hoje você pode ver que é um festival muito relevante para a cidade. Não sei se existe outro festival, em BH, que ajudou a revelar mais bandas do que o 53HC Music Fest. Talvez pela nossa proximidade com gravadoras, lojas e também por estarmos bem antenados no que tá rolando. Nx zero, Fresno, CPM22 e Strike passaram pela nossa mão. A gente também ajudou a revelar Móveis Coloniais de Acaju e Matanza. Ou seja, bandas totalmente diferentes, uma da outra. E isso tudo vem daquela idéia de 2005 de misturar mesmo, de apresentar para um público a banda que o outro público gosta, e isso tem feito um bem tremendo.


Conexão Vivo: E como é feita a seleção das bandas? Vocês têm uma grande parte da programação formada por bandas de Minas Gerais - como é esse processo?

Bart: A gente tem uma relação bem próxima com o nosso público. A 53HC (loja) fica no centro de BH. A galera vem aqui, bate um papo, toma uma cerveja, e aí escutamos o que eles têm a dizer. Promovemos também outro festival, com um formato um pouco diferente, que é a Flaming Nights, com um caráter mais festivo e pulverizado ao longo do ano. Então a galera conhece uma banda no Flaming Nights e pede para incluirmos na programação do fest.  E foi isso que aconteceu com as bandas de BH. Tivemos vários pedidos para colocar o Monno, o The Dead Lover's Twisted Heart, o The Folsoms e o Transmissor. As outras bandas foram selecionadas pela curadoria. De fora, teve uma pressão muito grande para trazer Móveis e Canastra. Então a gente separa: 50% das atrações para a galera escolher e o resto pelo processo curatorial. E os pedidos chegam de diversas maneiras, depois de cada Flaming Night por e-mail, por Orkut, tem gente que deixa bilhete...


Conexão Vivo: E as bandas de fora - é a primeira vez que o Festival conta com participações internacionais?

Bart: Não, já trouxemos bandas da Holanda e dos Estados Unidos, só que as duas eram de Hard Core, do mesmo segmento. O legal deste ano é que as 3 bandas internacionais são atrações que tem mais a ver com o festival, são bem diversas, tem mais a cara do que é o 53HC Music Fest hoje.


Conexão Vivo: E a rede? Como você organiza esse festival? Quem ajuda a fazer o 53HC Music Fest?

Bart: Eu sofro muito porque é meio que um exército de um homem só, mas sem os meus amigos seria impossível. Eu tenho um festival hoje que é relevante para a cidade e que cresce a cada ano, mas, se não fosse um amigo meu que fizesse a assessoria de imprensa, se não fosse outro amigo ajudando na captação de recursos e na confecção do festival, na escolha das bandas... Sem meus amigos, colaboradores, com certeza ficaria mais difícil. Eu até penso, no ano que vem, fazer um festival bem roots, de volta às origens, com menos bandas, menos dias. E acho isso de crescimento algo muito relativo: está crescendo, tem mais bandas, é legal, mas tem o outro lado também que é muito trabalhoso. As pessoas começam a achar que aquilo ali se vendeu, não tem mais a proposta do início... Por isso que é bom, de tempos em tempos, lembrar de onde você veio, quem você é, para que essa essência não se perca. O Rato de Porões tá tocando justamente por isso, foi a primeira banda que a gente trouxe pro Festival e não queremos ficar longe demais de quem a gente era.


Conexão Vivo: E esse ano vocês integram a rede de festivais do Conexão Vivo que é uma iniciativa nova do programa que está se formando. Como é isso pro 53HC?

Bart: Isso é lindo, né? Essa coisa do coletivo é muito importante, visto que temos exemplos importantes, como a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes). Fico muito feliz do Conexao ter nascido como uma iniciativa local, belorizontina, e é muito importante pra gente. Se você pensar que até 3, 4 anos atrás, BH era taxada de provinciana. E hoje a gente tem o Outrorock, o próprio Conexão se estendendo, sua rede de contatos, de festivais interligados. Acho isso muito positivo pra cidade. BH e o Brasil só tem a ganhar com essa rede e eu acho que isso pode ir muito mais longe. Em um futuro bem próximo, Minas, Belo Horizonte e o Brasil vão estar fortalecendo a cena sulamericana.

Para conhecer a programação completa do 53HC, acesse www.53hc.com

SERVIÇO
53HC FEST 2009 – Edição de Aniversário de 10 anos


Dias 16 (sexta-feira) 17, 24 e 30 de outubro (sábados)

Horário: 20h

Local: Lapa Multishow (Rua Álvares Maciel, 312 - Santa Efigênia)

Ingressos e Passaportes: 
R$25 preço por dia antecipado / R$ 30 preço por dia na portaria / R$45 passaporte para dois dias / R$55 passaporte para três dias / R$ 65 passaporte para os quatro dias (Passaportes limitados e a venda somente na loja 53HC).

Pontos de Venda:
53HC: Rua Rio de Janeiro 630, loja 53, Centro (31) 3271 723

Pieta Tattoo – Rua Paraíba 1441, Savassi  (31) 3281 4441 

Lapa Multshow: Rua Álvares Maciel, 312 Santa Efigênia  (31) 3241 2074

Informações: (31) 3271 7237

 

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